Adeus… ou até logo

Hoje quero abrir um parêntese no meu blog sobre saúde. Quero extravassar – escrevendo – a dor que estou sentindo. A dor da perda. Então, desculpem-me fugir do tema.

Há 19 anos atrás, num final de ano, eu tive uma ruptura com meu pai. A vida quis assim, eu acho. Bom, todos esses anos se passaram, tentamos uma aproximação, mas a vida mais uma vez nos afastou. E não é que em mais um final de ano ela faz isso novamente?

Hoje os sentimentos são bem diferentes. Se no passado eu senti  raiva, magoa e decepção, agora o sentimento é de saudade, de amor e de angustia. Meu ano começou assim, com um adeus; ou um até logo.

O susto de uma notícia ruim é inexplicável. Por um segundo, olhando o rosto do meu irmão antes da notícia, mil coisas passaram pela minha cabeça. Eu tinha certeza que ele não estava ali – às 07 horas da manhã depois de um Réveillon – para me dizer que tinha ganhado a Mega-Sena da Virada, a expressão era pesada, triste, até desesperada. E ele disse…

Assim como a morte, a doença me assusta. Porque, quando é alguma coisa muito grave, mesmo controlada, o estigma que a pessoa/eu tem alguma coisa, fica martelando na minha cabeça. E depois que meu pai fez a angioplastia, eu fiquei em alerta. Não tinha uma só vez que não encontrasse com ele e não dissesse: “se cuida. Não coma besteira. Está tomando os remédios direito?”. No final acho até que é a mesma coisa… medo da doença por causa de uma possível conseqüência… a morte.

Meu irmão mais velho me deu a incumbência de escrever algo para lápide. Escrevi o que veio na minha cabeça, mesmo com a mulher do cemitério assoprando ao meu ouvido: “lembranças, saudades, de filhos… ele tinha mulher?”. Eu escrevi o que veio: “Perdão. Essa palavra fez parte da sua vida. Sentiremos muita saudade. Seus filhos, parentes e amigos”. A moça me olhou, pegou o papel e se foi. Escrever algo nesse turbilhão de sentimentos, ainda tendo o limite de espaço, foi difícil.

A parte mais estranha foi ver meu pai ali, no caixão, com flores, algodão… deu para reparar a roupa dele. Toda branca. Ele mesmo escolheu. Antes de ir para casa da namorada, ele deixou em cima da cama, uma calça, camisa, uma alpercata e o sabonete que ganhou no Natal. Quando a namorada dele me disse isso, veio um filme dessa última semana de meu pai. Passamos o Natal juntos. Depois de muitos anos. Ele estava cansado, um pouco abatido, mas muito feliz. Eu estava radiante. Conversamos, até minha mãe que é um pouco fechada com ele estava tagarelando.

Durante a semana ele me ligou várias vezes, dizia que estava feliz em me ter por perto, que o Natal foi muito importante, que o texto que eu escrevi no meu blog sobre ele estava lindo, ainda disse que estava tentando escrever algo para mim, mas que não sabia que palavras usar, se estava escrevendo corretamente, se a virgula estava certa; disse que já tinha começado algumas cartas e parado. Eu disse: pai, o importante é se comunicar. Não me importo se a casa está com s ou z. Ele sorriu.

Ontem, dia 31, liguei para ele 20h. Ele mal disse “oi minha filha” e eu disse “Feliz Natal”… dei risada e retifiquei a frase… “ops Feliz Ano Novo”. Ele sorriu. Fiquei pensando sobre isso. Tínhamos sorrido e conversado muito durante esses meses. Deus, Cosmos, Natureza, Orixás, Anjos… não sei ao certo, foi bondoso. Deu a meu pai uma despedida digna. E a nós uma oportunidade de viver mais um pouco com ele. Abraçar, beijar, dizer “eu te amo”. Hoje é um dia triste. Muito triste mesmo, mas ao mesmo tempo é um dia de reflexão. Ainda bem que tive a oportunidade de abraçar meu pai com muito amor e fui agraciada com a chance de me despedir dele. Te amo, pai.

01/01/2012

Fechando o ciclo

Pensando em 2011 no campo da saúde, acho que foi tudo bem. Gripe, tive uma no inicio do ano depois do cruzeiro e uma nessa semana. Nada demais. Água e descanso foram suficientes. Não oscilei muito no peso, me alimentei bem, diminui McDonald`s, jujuba, fui bem nos exercícios, fiz minhas revisões anuais; mas o setor que mais me empenhei foi a saúde mental.  Algo que quero continuar no ano de 2012. Acho até que essa postura de ter uma mente mais saudável contribuiu para o restante.

Uma decisão importante foi começar a terapia. Faço uma analogia que nossa mente é um tapete visto de longe. Não sabemos se está limpo ou empoeirado. Na terapia, esse tapete é visto de perto e sacudido, e o que fica no ar, é o que será trabalhado… optei pela terapia Junguiana. E estou me descobrindo. Como se falar, ouvir minha voz relatando o que penso, o que quero, me fizesse refletir melhor.

A meditação é uma busca antiga na minha vida. Comprei livros, já tentei meditar, mas acalmar os pensamentos é muito dificíl. Por isso resolvi – já no finalzinho do ano – tentar através da organização Brahma Kumaris aprender a meditar. Ainda estou engatinhando, mas já noto mudanças. Resumindo, o ano de 2011 foi um ano saudável.

Conflitos e questionamentos foram colocados no ar e essa descoberta está me trazendo para o eixo;  e gerando benefícios para outros setores da minha vida e para pessoas próximas. Quero continuar 2012 nesse rumo que escolhi. Tentando harmonizar mente e corpo.

Nesse ano de 2012, desejo a todos o autoconhecimento. Que é a melhor trilha -sem medo de errar –  para que as mudanças ocorram.

Saúde!

Drogas legais?

Não costumo postar outros textos a não ser os meus, mas vou abrir uma exceção para disponibilizar um link com a matéria da jornalista e escritora, Eliana Brum.

Achei interessante a história real que ela narra de Pedro (nome fictício). Um homem bem sucedido, com mulher, filhos, amigos e um emprego que gosta e é reconhecido, mas que depende de anti-depressivos para seguir a vida.

Vale a pena ler.

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/12/voce-consegue-viver-sem-drogas-legais.html

Alimentação + Exercício + Emocional

Sou Danúbia, tenho 25 anos, um metro e sessenta e peso… 110kg. Enfrento muitos problemas por ser obesa, que ultrapassam a barreira física. Todos dizem que devo me cuidar, pois sou jovem, e “apesar de ser gorda” tenho um rosto bonito. Muitas coisas me incomodam. Como por exemplo, minha respiração. Não consigo falar uma frase com 20 palavras sem que me falte o ar. A dispnéia já faz parte da minha vida. Devo ir ao médico? Eu até tento, mas é um tormento.

Primeiro: não tenho carro. Dependo do transporte público. Segundo: é necessária uma dose cavalar de coragem. Porque as pessoas são cruéis com nós obesos. Ouvimos e vemos coisas, do doutor da clínica ao cobrador de ônibus. Tento ignorar as pessoas me olhando e me julgando, mas não é uma tarefa fácil. Mas hoje acordei e resolvi fazer um exame que estava no fundo do baú há quase um mês: um ecocardiograma.

Acordei cedo e fui para o ponto de ônibus, onde sabia que não escaparia do motorista e nem do cobrador, que sempre dizem uma piadinha. Pronto! Entrei no ônibus a todo custo e cheguei na clínica decidida a saber como anda o meu coração (literalmente). Já na recepção, os olhares arregalados das recepcionistas tentando imaginar como eu, uma obesa, irei deitar numa maca para fazer o exame. Com minha cabeça erguida, dei boa tarde e entreguei meus documentos. O tititi foi geral. Fingi que não era comigo.

O médico me chamou e mais uma vez aquele olhar esbugalhado e uma expressão que parecia gritar: “meu Deus!! A mesa do exame não aguentará”. Fui educada como sempre, dei “boa tarde” e relatei o que me levou até ali. O médico até se esforçou para não parecer grosseiro, e me perguntou se eu informei que era obesa para recepcionista quando marquei o exame. Eu respirei profundamente, dessa vez buscando minha dignidade, e respondi que não. Mais uma vez tentando ser gentil, o médico informou que era arriscado fazer o exame na mesa que tinha na clínica e sugeriu que eu fizesse o exame em um hospital, pois as mesas cirúrgicas são mais resistentes. Dei uma risada amarela e disse: “Por que não pensei nisso antes?” e fui embora. Deixando, assim, meu ecocardiograma para um dia que eu levante e tenha coragem de enfrentar tudo isso novamente.

 

Essa historinha veio da minha cachola, mas me arrisco afirmar que alguém já deve ter passado por uma situação parecida com a de Danúbia. É triste constatar que a obesidade não trás malefícios apenas ao corpo, ela prejudica a alma também. É um problema de saúde pública, que não pode passar despercebido. Tratar o obeso vai além de indicar uma bariátrica, é cuidar da mente de um ser humano que por muitas fases da vida, foi apontado e massacrado, por uma sociedade que valoriza o corpo perfeito (diga-se de passagem, que quanto mais osso aparecendo melhor). Hoje, no dia Internacional do Combate à Obesidade, deixo aqui registrado, que respeitar e se solidarizar, também são itens que devem ser agregados nessa luta, contra uma doença, que segundo projeção da Organização Mundial de Saúde, já terá atingindo em 2015, cerca de 700 milhões de adultos em todo o mundo.

 

Respeitar também faz bem para saúde. A sua e a do outro.

 

Cuide-se!

Hipertensão_Infarto_Perdão

Essa vida é engraçada. Quem diria que em um hospital público, numa enfermaria – que mais parecia uma feira por causa do barulho -eu iria entender e sentir melhor o que é perdão. Está parecendo que o post não atende ao propósito do site?  Bem, você entenderá que tem tudo a ver.

Some uma vida regada de comidas gordurosas e em horários impróprios, mais histórico familiar de problemas cardíacos, mais pavor por médico e mais ainda por agulhas e uma pitada de teimosia. Esse mix só poderia resultar como “prato” principal: problemas de saúde. E para completar o menu, uma sobremesa considerável: a idade.

Essa semana levei o maior susto quando meu irmão mais velho me ligou informando que meu pai estava em uma emergência. Me recordei das inúmeras vezes que ele nos acordou de madrugada, nos convidando para comer uma feijoada, moqueca ou algo similarmente pesado. Por sorte, muitas vezes recusávamos e ficávamos apenas na melancia. Era assim a vida de meu pai. Nunca se importou muito com a saúde, apesar de ter muito medo da morte, acho que o medo por médicos era maior. Mas essa semana tudo mudou.

Ele teve um pequeno infarto, mas pasmem, antes ele já havia tido inúmeros pequenos infartos. Só DEUS sabe como ele conseguiu resistir a tantos. Só que dessa vez a situação foi outra, e com a união dos filhos ele se internou e está em tratamento, mas onde quero chegar, não é só o estado físico dele, e sim um “peso” maior que estava no seu coração. A distância dos filhos e a própria distância entre os filhos.

E foi nessa mesma feira enfermaria que tivemos uma boa conversa, porém arriscada, já que mexer com o emocional naquele momento não era muito recomendável. Mas tentei deixar de lado o papel de filha e vestir o papel de jornalista para perguntar coisas que como filha não teria coragem. Talvez tenha parecido maldade, afinal ele estava num hospital, tinha pouco tempo de infartado, mas não foi. Tanto eu como ele sentimos um imenso alívio por ter tido essa conversa e um perdão que eu tinha dado a ele anos antes, fez mais sentido e me proporcionou um sentimento de amor mais intenso por meu pai.

Depois dessa conversa, ele mostrou uma melhora na auto-estima. Ficou mais seguro e confiante do que queria. Que era melhorar e  recuperar os anos perdidos distante dos filhos. Ele ainda está internado, mas com um olhar diferente. Ele deu para nós, os filhos, uma esperança que de agora em diante as madrugadas recheadas a mocotó, feijoadas e moquecas, ficaram  no passado. Ele está entendendo que certos limites são importantes para uma boa vida.

Perdão faz bem para saúde. Fica aí a dica.

Tenha Saúde!

Sexo é vida…

Hoje li essa frase num cartaz de propaganda e resolvi escrever esse post.

Que sexo é um santo remédio, até o ex-ministro da saúde já informou, mas será que as mulheres – especificamente – estão satisfeitas com a “dosagem”?

Participe da enquete com a seguinte pergunta: Sexo faz bem para saúde. Como anda a sua?

Votem.

 

Saúde!

 

PS: Obrigada pelo pessoal que votou na enquete 😉

“A partir de segunda-feira eu começo/paro…”

Não importa o que seja, esse é o dia mundial para iniciar uma mudança.

Mas por que muitas vezes é difícil alcançar o objetivo? Li numa matéria da revista Mente e Cérebro algo que achei interessante. A reportagem aborda a relação entre a personalidade e o sucesso em uma dieta e dá um destaque ao autocontrole.

Nas minhas inúmeras dietas ao longo da fase adulta em busca de boa saúde e como bônus um corpo bacana, tive algumas  frustrações. No inicio começamos acreditando piamente nas nossas promessas; e muitas vezes sabemos o que teremos que fazer: alimentação saudável e exercício físico. Mas na prática a prosa é outra… gente, existe muita tentação. E malhar, correr, dançar… não é por querer, mas os exercícios não cabem na agenda (pelo menos essa é a desculpa). E se for para abrir mão de algo, eles estarão encabeçando a lista. Aí qual é o resultado??? “Odeio dieta”.

Segundo a matéria, há uma luta constante em nosso cérebro para resistir às tentações. Os autores se referem a dois sistemas de informações, o impulso e a reflexão. Tenho que admitir que ultimamente o primeiro tem ganhado, mas está a cada dia perdendo forças.

Sabe aquela mania que temos de associar as coisas? Cinema com pipoca. Praia com cerveja gelada. Shopping com jujuba sortida (ops… essa é uma associação particular rs). Bom, essa relação que fazemos, muitas vezes nos dão uma sensação agradável, e isso é um perigo. Porque é um passo para ceder aos desejos. Ao maldito impulso.  Então, CUIDADO com essas associações. Tentar barrá-las, já é um começo.

A reflexão é a outra opção que podemos seguir. Nessa, você pode não ter um recompensa imediata, mas a chance de atingir seu objetivo é alta. Então, parar e pensar no que você quer realmente. Se vale apena repetir aquele prato de lasanha, ou comer mais um brigadeiro… pode ser uma luta constante entre o impulso e a reflexão, mas a boa notícia é que a escolha é única e exclusivamente sua.

Separei algumas dicas que podem nos ajudar a ter o autocontrole mais próximo do ideal.

  • Deter informações das conseqüências maléficas das tentações pode ajudar. Por exemplo, um hambúrguer cheio de maionese. Olhe para ele e pense nas suas artérias daqui alguns anos se comê-lo. Já estou pondo esse tópico em prática;
  • Espelhar para os quatro cantos. Funciona também. Começou uma dieta? Fale pro vizinho, coloque nas redes sociais… isso fará com que a sua vontade em pensamento se concretize. Além de ter sempre aquele vizinho – real ou virtual – para te pentelhar caso você escorregue em algum momento;
  • Adorei a próxima dica… fragmentar o objetivo em etapas. Se eu quero perder 5 quilos, por exemplo, eu inicio com metas curtas, como perder um quilo a cada dez dias;
  • Mesmo que você só cumpra 2/3 do que definiu como objetivo numa semana, comemore. Afinal, isso pode sim, significar que está tentando;
  • Para as situações criticas, a matéria sugere que se crie uma proteção, que seriam regras a serem seguidas caso ceda alguma tentação. Na minha opinião, não precisa ser uma punição, mas algo que sinalize/represente que você se desviou do seu objetivo;
  • Sabe a recompensa imediata que é um dos vilões das dietas? E que tem como estopim as associações? Que tal usar essa relação a seu favor? Essa é a próxima dica. Estímulos negativos. Pensou no pastel da feira, lembre daquele óleo escorrendo, que ele te dá azia e ainda te deixa com dor na consciência por ter cedido;
  • Se a TPM está perto, e aumentou a vontade do doce, evite os lugares de risco. Dessa forma será mais difícil “chutar o pau da barraca”;
  • Se até o melhor aparelho tecnológico em algum momento precisará ser recarregado, por que então seria diferente com nós humanos?  Recarregar as energias. Essa é a última (como diria minha vó: não por falta de vida e saúde) dica. Ter momentos de pausa… isso é importante. E por mais que a agenda esteja apertada, um tempo terá que ser reservado. Yoga, surf, pilates, boxe, meditação… o leque é extenso. Aproveite.

 

Se antecipe, comece hoje a favorecer sua saúde.

 

Saúde!

Uma viagem pelo cérebro… até a doença de Alzheimer

Há quase um ano, perdi minha vó. Foi duro e até hoje dói. Acho que vai diminuir. Passar, nunca. Ela não era muito saudável, já estava numa cadeira de rodas havia algum tempo, mas era lúcida e eu adorava conversar com ela. Além de vó, era minha madrinha, por isso assumiu responsabilidade dobrada por mim.

Um dia conversando com ela, notei que a memória já não era tão precisa. Com o tempo os esquecimentos foram aumentando e ela chegava a reclamar que sentia uma sensação na cabeça, como se “estivesse com formigas caminhando”. Começamos a suspeitar da doença de Alzheimer, então minha mãe resolveu levá-la ao médico. O que temíamos se confirmou.

Com pouco mais de 80 anos, ela foi diagnosticada na estágio inicial da doença. Foi tudo muito rápido. Em pouco tempo ela já atrapalhava as histórias, trocava os nomes, já tinha dificuldade no manuseio das coisas e já não falava tanto. Uma realidade triste de presenciar. Nos últimos dias de vida da minha doce avó, ela já estava quietinha, e nos restava o olhar e o sorriso. Até que o dia dela chegou. Foi sofrido.

Por meses a fio, não queria ouvir falar em Alzheimer, até o mês passado, quando li na revista Scientific American Mente Cérebro sobre um site que explica, através de slides, o funcionamento do cérebro e como a doença o afeta. Por ter uma  linguagem didática e de fácil entendimento, é uma viagem que vale a pena fazer.

Por se trata de uma doença silenciosa, é importante observar detalhes; e entender um pouco sobre o assunto, ajuda ver essas nuances.

Boa Leitura.